
Últimos Românticos da Rua Augusta em SC neste fim de semana
Parece não haver mais espaço pra cavalheirismo nas imediações da nacionalmente conhecida rua Augusta, um dos endereços mais fervilhantes da capital paulista, com suas casas de shows, boates, lojas de discos, bares e moças vendendo carinho nas esquinas. Vai daí a ironia do nome Os Últimos Românticos da Rua Augusta, defensores da poesia e gentileza dentro e fora dos inferninhos. São figuras conhecidas: Gustavo Kaly e Cristiano André (da banda blumenauense Stuart), Malásia (ex-Ultramen) e o rei do punk brega Wander Wildner, além de Jimi Joe, figura de proa do rock gaúcho que substitui o ex-Ultraje a Rigor Sérgio Serra.
A superbanda mais bem vestida do underground brasileiro, trovadores da dor de cotovelo e de outras aflições muito humanas, mas que não perdem o bom humor, como demonstrado na entrevista abaixo, uma blitzkrieg midiática armada por “Mundo47″ , Marcos Espíndola (”Contracapa” do “DC”) e Rubens Herbst (”Orelhada” do AN). A ação é nobre: recepcionar de braços abertos Os Últimos Românticos, que destilam seu “folk punk jazz de apartamento” - um mix encardido de Leonard Cohen, Johnny Cash, Chet Baker e Ramones - em Joinville no sábado, no Bar Pixel, e em Blumenau, domingo no Ahoy!.
Los 3 Amigos: Com tantos compositores na banda, como vocês decidem o que será trabalhado ou não? É uma democracia?
Wander Wildiner - O conjunto musical OS ULTIMOS ROMANTICOS DA RUA AUGUSTA foi formado para interpretar as musicas composta po Gustavo André, todas as musicas são de autoria dele.
Gustavo Kaly - Quando montamos a banda, ao pé da Cordilheira dos Andes, tivemos a maluca idéia de sermos intérpretes das minhas músicas, tive uma fase muito produtiva nos últimos 10/15 anos. Temos 3 discos compostos, voltados a temática proposta aos URRA. Algumas são releituras do que fiz no Stuart, outras, inéditas.
Cristiano Carlos - O compositor deve estar passando por uma crise de depressão amorosa, ou sofrendo por causa de um amor não correspondido.
Malásia - Por enquanto todas as músicas de nosso repertório são compostas pelo Gustavo André(vulgo Kaly). Mas em breve vamos botar abaixo essa reserva de mercado, pois somos um time talentoso e não é justo que somente ele enriqueça com os direitos autorais.
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Los 3 Amigos - Qual o grau de prioridade que Os Últimos Românticos assumiram na vida de cada integrante?
Wander - Prioridade um, para mim é o trabalho mais legal que eu tenho!
Kaly - Certamente é o topo da cadeia alimentar artística minha, no momento. Cobre todas as necessidades de estrada, estúdio, ensaio, e vazão as composições. O foco agora é esse.
Cristiano - Prioridade máxima!
Malásia - Prioridade total, geral, única e plena.
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Los 3 Amigos - Como você, Kaly, define o que vai pros Últimos Românticos, o que vai pro Stuart e o que vai pros Hóspedes do Chelsea?
Kaly - Tem muita coisa que eu estava criando, que não estava funcionando no Stuart, que sempre foi mais punk. Daí surgiu a necessidade de por elas em prática por outros meios. Juntei os Hóspedes do Chelsea, para poder gravá-las. Umas coisas mais folks, até com influências de jazz e samba. Tinha muita coisa. O URRA chegou e abocanhou metade delas. Daí, eu deixo as coisas mais punks para o Stuart, as maluquices pro meu solo e as folks para o URRA. Às vezes rola de tocar as mesmas nos três projetos, cada banda da uma cara diferente para a mesma música. É um exercício interessante. Tem algumas dessa safra, como Boas Notícias por exemplo, que estão nos três projetos. Além do Wander ter gravado no solo dele. Bacana né? É a nossa “garota de Ipanema” (risos)…
Cristiano - já vi ele tirando no palitinho.
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Los 3 Amigos: Os URRAs são músicos de várias partes do Brasil falando sobre o cotidiano em SP, há catarinas, gaúchos, cariocas e blumenauenses (rs), como o público paulista encara essa banda com 5 caras de fora falando sobre São Paulo? Como é a aceitação do público neste sentido?
Wander - Notamos que muitas pessoas já apareceram em vários shows, elas cantam e dançam as músicas, isso é o melhor que podemos conquistar!
Kaly - São Paulo recebe isso desde sempre. É o ponto de fusão do Brasil. O Baiano Tom Zé canta sobre São Paulo desde os anos 60. Caetano, Chico, etc. Todos tem alguma história com a metrópole. Não tem como passar um tempo aqui e não assumir essa característica. O público em SP também representa isso. Se contar a quantidade de paulistanos legítimos nos shows, acho que da menos que a metade. Nossos shows vão de gaúchos a recifenhos e até ingleses.
Cristiano - As músicas estão sendo bem aceitas. O fato de sermos de fora só chama mais a atenção.
Malásia - Não aceitamos paulistas no nosso conjunto porque não existe amor em SP. É por isso que dá certo e o público aceita tudo desde que tenha bebida.
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Los 3 Amigos - Citem um disco para ouvir no Paraíso e outro queimar na lage do inferno ?
Cristiano - No céu ou no inferno: London Calling, do The Clash
Malásia - No paraiso Songs in the key of life, do Stevie Wonder. No inferno qualquer coisa que o Axl Rose já tenha feito ou ainda vá fazer.
Wander - Para ouvir no paraíso Acabou Chorare dos Novos Baianos. Para queimar no inferno qualquer um (eles tem mais de um?) do 30 Seconds From Mars.
Kaly - Songs of Leonard Cohen no Paraíso. O inferno seria uma grande festa de electro-rock.
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