Arquivo da Categoria ‘Bandas Clássicas’
Paul McCartney em Florianópolis?
sexta-feira, 2 de março de 2012
Seu Paul poderá vir para SC para assinar uns bracinhos…
O sonho pode está se tornando realidade. Sir Paul McCartney, aquele mesmo, dos Beatles, pode aportar por Florianópolis em meados de maio. Mas nada foi confirmado oficialmente. A terceira vinda de Paul McCartney ao país em menos de dois anos pode acontecer na capital catarinense, em Brasília e no Recife.
Desde da última quarta-feira, no Facebook e no Twitter, várias pessoas garantem que uma empresa foi contratada para fornecer o palco e equipamentos para um show de Paul McCartney em Floripa. A conversa passa por muitos jornalistas e fãs de grande porte dos Beatles, gente que de certa forma, possui informações valiosas, porém, nada de concreto foi comunicado aos brasileiros.
O negócio mesmo é torcer para que o grande mito da música pop, pise seus pés na Ilha da Magia…
Por outro lado, sacanas de plantão já programa a estadia de Paul na capital manezinha…
RIP Davy Jones *1945 +2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Davy Jones e a brasileira Rosinha Monkees em 2011
Morreu hoje de problemas cardíacos nos Estados Unidos, o vocalista dos Monkees, Davy Jones.
Mais uma perda irreparável para o pop.
Minha amiga Rosinha Monkees, da foto, deve estar muito triste hoje. Ela é brasileira de SP e muito amiga dos integrantes da banda. Força Rosinha!
RIP Wando * 1945 + 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
E o Wando se foi… ontem, aos 66 anos de idade, bom, todo mundo já deve tá careca de saber…
Lee Ranaldo e seu primeiro solo
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
httpv://vimeo.com/36363007
Lee Ranaldo OFF THE WALL Official Video from Lee Ranaldo on Vimeo.
Depois do inevitável “fim” do Sonic Youth, o guitarrista Lee Ranaldo não perde tempo e lança o clipe da música Off The Wall.
O som é bem mais pop que os últimos trabalhos do SY, mas não deixa de ser um trabalho interessante.
Nazareth nesta quinta-feira em Itajaí
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Agora é a vez de Itajaí receber os sessentões roqueiros escoceses do Nazareth. A banda que é figurinha fácil por Santa Catarina, já realizou shows em várias cidades de porte médio pelo estado, chega a terra peixeira para um show no dia 09 de fevereiro na Sociedade da Vila, a partir das 20h30.
O show do Naza é a certeza de uma bela volta ao tempo, com hits como Love Hurts, Dream On e outras canções que embalaram gente com mais de 40 anos.
40 anos também é o tempo que o Nazareth está na estrada, muito tempo hein?
Da formação original apenas o vocalista Dan McCafferty e o baixista Pete Agnew. Na minha teoria, estas bandas que aportam pelo país, das antigas, com formações mistas, onde o vocalista clássico ou original se faz presente, é garantia de boas lembranças.
Neil Young and Crazy Horse voltam aos palcos
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Desde 2004 Neil Young e o Crazy Horse não se apresentam ao vivo. A banda que acompanhou Neil Young em diversas oportunidades, desde 1969, está de volta. O sinal foi divulgado na última semana, num vídeo que mostra o áudio de um ensaio da banda com uma versão de 37 minutos para Cortez The Killer.
A volta oficial acontecerá na próxima semana, em Los Angeles, num concerto em homenagem a Paul McCartney, com a presença do próprio e de outros astros do rock.
Ainda não há datas para turnês pelo mundo, mas a volta é inevitável. Graças a Deus!
E a Tia Rita foi presa…
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012No Sergipe, a Tia Rita Lee foi presa na sua derradeira despedida dos palcos. Na semana passada, Ritinha mandou ver dizendo que vai abandonar os shows, não dá mais para a tia que tá com 67 anos e fisicamente debilitada. Ao contrário de muitos músicos dos anos 60 que apesar dos excessos, vivem bem a beira dos 70, Rita Lee está fragilizada e isso é nítido no palco. Muita loucura bróder!
No fim de semana, em Sergipe, a galera lá da frente foi curtir uma marofinha para se despedir de Rita e os PMs desceram o pau na raça. Bom, Tia Rita que é paz e amor, ficou puta da cara e ofendeu os milicos, inclusive dizendo coisas sobre a mãe deles. Resultado: Rita foi encaminhada para a delegacia para prestar esclarecimentos e vai responder ao um TC.
Bom, faltou bom sendo né galera, tanto da PM do Sergipe quanto da tia, não precisava falar mal da mãe dos caras né pô!
Menos mal que a Tia Rita foi ficar puta da cara com as otoridades no Sergipe, se fosse em SP, seu estado, ela teria que aguentar a PM do Alkmin/Serra/Kassab, os famosos Os Alkimistas…

É, 2012 vai acabar o mundo…
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Morrissey em março no Brasil
Depois que o Brasil virou rota obrigatória para grandes shows, para artistas internacionais, tá ficando cada vez mais difícil escolher onde ir. Apesar de aportarem sempre por aqui, as apresentações gringas saem sempre com preços absurdos, porém, a maioria é sold out já nos primeiros dias de venda de ingressos. Culpa do Lula.
Nesta semana a confirmação de que Morrissey, eterno líder dos Smiths e com considerável carreira solo, chega ao país em março para três apresentações (POA 07, RJ 09 e São Paulo 11). Março também tem coisa, é mês de Nada Surf pelo país, com show em Curitiba confirmado e tentativas de Kelson Marcelo, o cara que fez acontecer um período da existência do Curupira, para trazer o trio americano para Santa Catarina. Há também quase certa a presença do Wilco no Brasil no final de março e início da abril, isso sem falar de um monte de show que estão pipocando pela internet, todos confirmados.

Nada Surf: há tentativas de um show em Santa Catarina
Vai ser difícil escolher qual ir… a grana tá curta este ano para shows, tenho outras prioridades, mas no que der… estarei lá!
Curtas ……………………….2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012# o ano começou, promete muito em várias vertentes da música catarinense. Mundo47 sempre alerta, as vezes hiberna, mas a gente volta.
# mais um brinquedinho sobre George Harrison lançado para iPad e possível de comprar na Apple Store. É um app para você conhecer as guitarras usadas pelo falecido beatle. Tem todas, com fotos, áudio, enfim, interatividade. O vídeo diz tudo. Alguns artistas famosos fizeram testes com as guitarrinhas de George, no vídeo acima, com Ben Harper usando uma clássica Gretsch que George usou no comecinho dos Beatles.

# esse lance do câncer do Tommy Iommi pega a gente de surpresa, mas não dá para se desesperar. Por mais que um cara como ele nos passe uma imagem de imortal, não rola muito esse papo. O lance é torcer para que ele melhore, o quanto antes, para que possamos ver ele e o Black Sabbath completo para mais uma turnê e ainda por cima, com disco novo. O último foi Never Say Die, de 1978, que por sinal, é meu favorito.
# lendo a Contracapa de ontem, do mestre Marcos Espíndola, do Diário Catarinense, vejo que para ele, algumas pessoas reclamaram que faltaram alguns artistas nas listas de fim de ano dos melhores álbuns de 2011. As listas ficaram muito rock and roll. Alguns artistas de outros estilos ficaram de fora, principalmente os bons artistas da MPB, música instrumental. Bom, eu realmente acredito que esse pessoal deva ter produzido discos fantásticos no último ano, mas infelizmente, essa turma não faz o que o pessoal do rock faz. Eles simplesmente não vão atrás.
# Muitos destes álbuns, que são bons realmente, não chegam nas mãos de jornalistas formadores de opinião sobre música em Santa Catarina. Nossos artistas deste naipe, não se ligam nisso, apenas gravam discos através de leis de incentivo municipal e estadual, fabricam o disco e esses álbuns ficam esquecidos em caixas e mais caixas, o artista apenas oferece eles em shows. Não é geral isso, mas a grande maioria não faz o seu trabalho acontecer pelo Estado. A conduta destes artistas é diferente em outros estados, onde o pessoal é muito mais articulado e ligado nas novas tecnologias. Vai procurar algum deles no Facebook, são poucos. Em 2011 eu recebi o maravilhoso DVD captado pelo Antonio Rossa de um grupo de jazz de Itajaí, o Samburá, esse DVD teve distribuição, pois a banda teve o suporte de assessores de comunicação que os orientaram onde e para quem enviar o DVD. Se foi eficiente, não sei precisar, mas é um grande começo.
# o trio de malacos Emerson Gasperin (Tomate), Marcos Espíndola (Piri) e Fábio Bianchini (Mutley), na foto acima, tocando o terror, ou melhor, bons sons, numa festa num novo pico em Balneário Camboriú. O Thirteen Pub. Estive lá para dar uma conferida nos reis das pick ups das fextênhas de Floripa e de quebra, fui convidado pelo Nilson Coelho, colega jornalista que assessora a casa para tocar no próximo dia 19 de janeiro. O Thirteen Pub se localiza na Praia dos Amores, de frente pro mar, onde era o Kwarup.
# dica legal do blog Orelhada, do Rubão, os Rolling Stones em 1971 no famoso Marquee Club em Londres. Notem que o Mick Taylor tá apavorando na guitarra, ele era the best.

# “Mah Oeee! Ele Morreu, Ele Morreu!”, diria o Silvio Santos. Veja aqui como seriam as capas dos discos com gente que já se foi.
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# os amigos Fábio Couto e Ane Kunz Couto passaram férias de fim de ano aqui no Brasil. A dupla tem em Londres, onde residem há dois anos, a banda Plastique, que está participando do Red Bull Bedroom Jam, que seleciona bandas para o evento da Red Bull. Entre aqui e dê a estrela máxima para a banda levar essa.
# acima nova música do Ringo Starr, Samba… será que ele fez ela na sua passagem pelo Brasil? Bom, o ritmo não é samba… mas é o Ringo, tá desculpado.
# “She Smells So Nice”, música “inédita” do The Doors estará presente no relançamento do álbum LA Woman, de 1971, ano da morte do lendário vocalista Jim Morrison. Há um bom tempo há muita expectativa de raspas novas dos tachos das portas, vamos ver se vem mais.

# e a rapeize da Válvula Rock está com um pub na praia de Barra Velha. A programação acima indica algo intimista e relaxante. O verão do Válvula Rock representa um descanso merecido e recarga para as baterias do ano de 2012, que promete ser ainda mais wrock!

# o álbum música crocante, do Autormas, está entre os 10 melhores melhores álbuns de 2011 segundo a Rolling Stone brasileira. Está também nas minhas listinhas de melhores álbuns nacionais e da gringa que você vê abaixo. A lista foi a pedido de Luciano Vitor, o Carioca, da Dynamite.
Nacional
1º - Autoramas – Música Crocante
2º - Emicida - Doozicabraba e a Revolução Silenciosa
3º - Nevilton – De Verdade
4º - Kassin – Sonho Devagar
5º - Vanguart – Boa Parte de Mim Vai Embora
6º - Verano – Un Amor Lejos
7º - Giovani Caruso e o Escambau - Ordem e Progresso via Pão&Circo Filmado
8º - Karina Buhr - Longe de Onde
9º - Criolo – Nó na Orelha
10º - Emicida - Doozicabraba e a Revolução Silenciosa
Internacional
1º - Wilco - The Whole Hell Love
2º - Foo Fighters - Wasting Light
3º - Arctic Monkeys - Suck It and See
4º - Noel Gallagher’s High Flying Birds - Noel Gallagher’s High Flying Birds
5º - The Black Keys - El Camino
6º - Kasabian – Velociraptor
7º - TV On The Radio - Nine Types of Light
8º - Metronomy - The English Riviera
9º - The Raveonettes – Raven in the Grave
10º - The Decemberists - The King Is Dead
Vídeo raro dos Mutantes aparece no YouTube
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012Apareceu hoje no Facebook um vídeo raro dos Mutantes, ainda com a Rita Lee, em 1969. Ao que parece (o lance tem poucas informações), é uma apresentação dos Mutantes em julho de 1969 na França, com uma orquestra e eles tocando uma versão em inglês para “Caminhante Noturno” - uma das músicas mais fodas que eles gravaram.
O vídeo apareceu no Youtube e está sendo pulverizado na rede social. No site originário do vídeo, quem postou diz: “ This is, as far as I know, the “World Premiere” of this Os Mutantes video. Amazing performance backed by an entire Orchestra, singing in English. Thanks to my FaceBook friend Mark Owen for the title”
O negócio é curtir e esperar por informações mais corretas desta apresentação.
Happy Birthday Alex Chilton
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011Autoramas e BNegão em Joinville no último sábado
terça-feira, 29 de novembro de 2011
No último sábado eu estive em Joinville, no Bovary, para conferir o quarto show da parceria entre os cariocas do Autoramas e BNegão, que já cantou com Marcelo D2 na lendária banda Planet Hemp.
Na minha companhia o excelente fotógrafo Lucas Correia, que registrou essas imagens e também fez fotos da banda Autoramas na sua última passagem por Santa Catarina. Há um pouco mais de dois meses, o trio carioca fez shows em Balneário Camboriú, no Ooby Dooby, e no mesmo Bovary, na cidade dos principes.
Desta vez, o projeto com o BNegão trouxe o Autoramas de volta, junto com seu álbum música crocante. BNegão entrou no projeto dividindo o palco com o Autoramas em São Paulo, na Rua Augusta, num show no Beco. Depois tocaram na Bahia e na última sexta-feira, em Porto Alegre, também no Beco. O show de Joinville foi o quarto, passando pelo nosso estado.
Confesso que antes do show fiquei preocupado. O público presente no Bovary, digamos, não tinha jeito de conhecerem, muito menos de fãs dos dois artistas que mais tarde dividiriam o palco. Também não foi um público excelente, que antes do Autoramas, curtia clássicos do rock grunge dos anos 90 com a banda Stereo 33, de Curitiba, o que foi um erro, bem que alguma banda joinvilense poderia abrir para os artistas cariocas, bandas em Joinville não faltam.

Lá pelas 02 da manhã o show mais esperado, com parte do público que curtiu os cover da Stereo33 indo embora, o Autoramas abriu o show. Foram sete músicas de seu trabalho normal, um pequeno apanhado na carreira, com Bacalhau, Flavinha e Gabriel Thomaz esquentando o pequeno, porém animado público. Lá pelas tantas, entra BNegão. O cara além de ser uma simpatia, muito atencioso com saudosos fãs do Planet Hemp, iniciou uma bela dobradinha. Os artistas fizeram um apanhado das suas ex bandas, com músicas do Planet Hemp, versionadas para falas boladas por Gabriel como em “Queimando Tudo até a Última Ponta” e “Dig, Dig, Dig”. Não tinha como não reverenciar essas músicas, com BNegão e Bacalhau, ex-membros da formação original do Planet Hemp. No lado do Autoramas, o grande hit do Little Quail and Mad Birds, “1,2,3,4″, também foi lembrada. Sem esquecer que estão com o vozeirão de BNegão na frente, a banda emenda clássicos como “Psicho”, dos Sonics em seu repertório.
A parceria entre BNegão e Autoramas de certa forma me surpreendeu. Até mesmo canções inesperadas do Metallica apareceram no set, sempre muito rock and roll, nervosão mesmo. Para mim, o ponto alto foi o cover que a banda fez para “Qual é o seu nome”, da banda catarinense Euthanasia (agora é Eutha). Empolgadão, no final eu fui o único a gritar o nome do antigo nome da banda de Marcelo Mancha e sua turma, BNegão tratou logo de dar créditos para a banda da capital. “Eu gosto muito desta música”, disse o cantor depois do show. Não é a toa, se você dar uma passeada no Youtube, vai ver que Bernardes Negron cantou “Qual é o seu nome” no SWU 2010.
Enfim a noite termina tarde pra caramba, o jeito é se despedir dos amigos e pegar o carro e voltar para BC. Na próxima vez que o projeto Autoramas e BNegão passar por SC, meu caro leitor, trate de comparecer.
10 anos sem George Harrison
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
10 anos sem o beatle quieto…
Parece que foi ontem…
Em 29 de novembro de 2001 eu ainda estava na faculdade, no curso de jornalismo da Univali. Trampava como estagiário na Rádio Univali FM e produzia o programa Pirão Catarina, um marco na música de Santa Catarina.
Naquele dia 29 de novembro de 2001, eu cheguei na rádio com a triste notícia. George Harrison, dos Beatles, tinha falecido. O inevitável aconteceu para um cara que estava lutando contra um câncer e que quase foi morto por um maluco que invadiu sua casa em 1999, a gente não queria, mas sabia que essa hora iria chegar.
Quando John Lennon morreu em 1980 eu era um bebê e claro, nem sabia o que era Beatles. Foi a partir de 1989 que os quatro garotos de Liverpool viraram presença constante em minha vida. Eu queria ser John, depois quis ser Paul e em 2001, eu queria ser George. E ele se foi, uma coisa para um fã como eu, que não tinha sentido ainda, a morte de um grande ídolo.
Foi com o passar dos anos, que eu comecei a conhecer profundamente a carreira solo dos Beatles e em 2001 eu já tinha muitos discos de George. Uns dois anos antes, graças ao Napster e a rápida internet que eu tinha à disposição na Univali, meus arquivos de Mp3 dos Beatles e de suas carreiras pós banda estavam crescendo a cada dia. Com o Napster eu tive acesso a shows raros, outakes, apresentações na TV, tudo que era muito distante para mim, coisas que eu sou ouvia falar em revistas especializadas em música ou em Beatles, ter um disco, mesmo em CD, pirata, era impossível além de caro.

Naquela tarde, o professor Alberto Russi, diretor da rádio e conhecedor de boa música, sabendo que eu era um Beatlemaníaco de carteirinha, me deu uma missão: produzir naquela tarde um especial de duas horas sobre George Harrison, o especial iria ao ar no sábado seguinte. Durante a programação da rádio, o programador Mário Pereira (já falecido), colocou diversos clássicos dos Beatles na voz do George e músicas da carreira solo. Em 2001 não existiam redes sociais como o Orkut ou Facebook, naquele dia, meu telefone ficou abarrotado de mensagens, amigos me ligaram e minha caixa de e-mail eu recebia depoimentos de fãs da lista de fãs dos Beatles.
O programa ficou lindo, eu me segurando para narrar algumas passagens da vida de George, buscando na Internet algumas informações, olhando sites com fotos e acompanhando notícias das agências dos Estados Unidos e Inglaterra, para pegar depoimentos de Paul e Ringo sobre a morte do amigo.

Sobre George, 10 anos depois da sua morte, eu só tenho a dizer que meu amor por suas músicas e por sua vida só aumentam a cada nova canção que descubro, a cada disco em vinil que adquiro (tenho quase todos de sua carreira solo), a cada DVD que sai e graças ao Youtube - a melhor televisão do mundo - (eu criei a frase e digo isto deste a abertura desta joça) hoje temos acesso a muitas coisas legais sobre a carreira solo de George Harrison e também vídeos raros dos Beatles, é só buscar, não tem muito segredo.
George transmitia muita paz e amor em suas canções. Não era um pacifista de carteirinha como John foi, fazia tudo ao seu modo, quieto, sem fazer bagunça, mas sempre cercado de boas pessoas. O George Harrison religioso era também uma outra faceta digna de sua vida. A devoção e amor ao krsna e a cultura oriental, especialmente da Índia, fizeram dele um dos caras mais íntegros da música pop.

Apesar de não lançar tantos discos nos anos 1990 até sua morte, George Harrison faz falta para o mundo. Seu último álbum, gravado no fim da vida, Brainwashed é um grande álbum. George veio de discos menos incríveis dos anos 1980 e 1990, porém deu suas últimas forças para gravar com ajuda dos amigos e do filho, seu último álbum, ainda que um pouco inacabado, foi finalizado pelos amigos e por Dhani, seu único filho.
Este ano tivemos o lançamento do documentário Living in the Material World, de Martin Scorsese. O trailler indicava algo muito foda, porém o documentário de Martin não foi o bicho, três horas de muita conversa e pouca prática, porém, adocicado com depoimentos emocionantes de Ringo Starr, Olivia, Dhani e outros grandes parceiros musicais de várias eras.
Este dia 29 de novembro de 2011 com certeza será um pouco mais triste, com a lembrança do falecimento do nosso querido George.
Aqui o crítico musical fica de fora totalmente, é um relato de um fã.
Hare Krsna!
Repolho comemora 20 anos neste sábado em Chapecó
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
É uma pena que Chapecó, dentro do nosso estado, seja tão longe. Muitas vezes não podemos participar de eventos e atividades rock and roll por lá.
O fato é que neste sábado, a Repolho comemora 20 anos de róque em casa, em Chapecó.
Os irmãos Roberto e Demétrio Panarotto, comemoram essa jornada malaca na companhia dos parceiros Anderson Gambatto e Akira Fukai, num show que terá ingressos gratuitos, distribuídos horas antes da apresentação.
Parabéns pro Repolho, orgulho róque de Santa Catarina e do Sul.
A banda Repolho é formada por:
Roberto Panarotto – Vocal
Demétrio panarotto – Guitarra
Anderson Birde (gambatto) – Bateria
Akira Fukai – Baixo.
Dia: 19 de novembro.
Local: aud. Lang Palace Hotel.
Horário: 20:00 h
Obs: Os ingressos serão distribuídos gratuitamente duas horas antes de começar o evento. Ingressos limitados.
A cinco metros de um Beatle
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Ringo Starr e sua All Starr Band em Porto Alegre - 10.11.2011
Quando Paul McCartney esteve no Brasil em 2010, eu fui fominha, queria ver uns dois shows, e vi, mas tudo na pista comum, não na tal da premium, muito mais cara do que a normal. Apesar de estar pertinho de Paul, na grade da pista comum, ele estava mesmo longe nos estádios do Beira Rio e Morumbi.
Na última quinta-feira, em Porto Alegre, no ginásio do Gigantinho, numa malandra troca de ingressos, consegui a tal da pista premium para ver mais um beatle. Ringo Starr.
Foi o primeiro show do baterista no Brasil, ele nunca havia estado por aqui. O show de Ringo é muito menor do que Paul, foi num ginásio para 14 mil pessoas, mas nem 8 mil pagaram para ver o ex-beatle. Muita gente tem aquela coisa que Ringo era dispensável, o baterista, o beatle palhaço, o bobo, mas enfim, Ringo Starr foi uma peça muito importante para os Beatles, sem ele, muitas músicas não teriam o sucesso devido, apesar da dupla Lennon e Mccartney dominarem a coisa no início, o conjunto dos quatro músicos e personalidades foi importante.

Acompanhando Rick Derringer, dos McCoys
O importante mesmo foi conviver com aquelas pessoas fãs de Ringo Starr, loucas para ver um beatle novamente, alguns pela primeira vez. Minha forma de transporte foi um bus que saiu de Florianópolis, da galera da Bus Sessions. O ônibus double deck foi com umas vinte poucas pessoas, muito tranquilo, com pessoas legais, de todas as idades. Voltando para o assunto pista premium, fiquei na fila, que era bem curtinha, numa posição que quando entrei no ginásio, não foi difícil chegar na grade, de frente para a mítica bateria Ludwig e o microfone central, ou seja, a poucos metros de um beatle eu estaria a partir das 21h. E não deu outra, Ringo, frente à frente com sua platéia, simpático, feliz e saltitante cantando “It Don´t Come Easy”, de 1970. No começo Starr já tinha ganho a platéia.
A produção de palco de Ringo é modesta. No fundo são panos e uma imensa estrela inflável. Os equipamentos também são mínimos, não tem paredão de amplis, somente na plataforma alta, como ele fazia com os Beatles para ser visto, a Ludwig lindona, toda brilhosa, com uma imensa estrela no bumbo.
Na sequência do vieram “Honey Don’t” e “Choose Love”, com Ringo já sentado na sua Ludwig. A constatação de você estar ali, há poucos metros do baterista, com ele na própria, fazendo caras e trejeitos como fazia com os fab, foi fabuloso. Dava para olhar para o cara e ele, se divertindo, com a platéia cantando seu nome.

Edgar Winter fazendo uma apresentação matadora!
Após a terceira música, foi a vez da All Starr Band mostrar o seu talento. Desde 1989, Ringo convida grandes nomes para participar de sua banda de apoio. A atual All Starr Band não chega a ter nomes tão conhecidos, mas durante o show, as músicas apresentadas pelos integrantes chamou a atenção da platéia, que em algum momento de sua vida, ouviram as canções dos integrantes da All Starr Band que fizeram sucesso nas rádios.
O guitarrista Rick Derringer, dos McCoys, cantou a clássica “Hang On Sloopy”. Edgar Winter, irmão de Johnny Winter, tocou “Free Ride”. Wally Palmar destilou seu talento com “Talking In Your Sleep”, todas as canções com Ringão lá, sorridente na bateria, acompanhando os parceiros de turnê.
Em Porto Alegre, Ringo volta aos vocais com “I Wanna Be Your Man”, dedicado para todas as mulheres e alguns homens (hummmmm). O tecladista Gary Wright, muito conhecido nos anos 1970 com a clássica “Dream Weaver”, fez as honras com um vocal extremamente polido para um senhor de 70 anos, fantástico. Depois foi a vez do baixista Richard Page, conhecido nos anos 1980 com a banda Mr.Mister, cantando “Kyrie”. Page arrepiou também a platéia, com sua voz fantástica e que foi um grande hit de sua antiga banda.

Ringo comandou a platéia por quase duas horas no Gigantinho
Novamente Ringo volta aos vocais, com “The Other Side of Liverpool”, não empolgando tanto, se eu fosse ele tocaria Liverpool 8, muito mais legal do que esta. O show continuou com Ringo Starr cantando uma das mais clássicas dos Beatles com sua voz, “Yellow Submarine”, platéia e músicos cantando como um hino e na brincadeira dos fãs na fila do Gigantinho, o ambiente é invadido por centenas de balões amarelos. Como num cântico de torcida de futebol, o público cantava “olê, olê, olê, olê, Ringo, Ringo!”. Depois desse momento épico, Ringo sai de cena, dando lugar a Edgar Winter, o mago albino que compôs a excelente instrumental “Frankenstein”. O véio Winter detona, levantando a platéia com seu virtuosismo e habilidade em tocar com um teclado pendurado no pescoço.
No retorno de Ringo, “Back Off Boogaloo” antes de entregar o bastão Wally Palmar, que animou a plateia com “What I Like About You”. O show continuou com Ringo com “Boys”, Gary Wright com “My Love is Alive” e Richard Page com outro sucesso seu com a Mr. Mister, “Broken Wings”.

Aos 71 anos o baterista mostrou vitalidade e bom humor
Quase duas horas de show, Ringo inicia a sua despedida do palco com a belíssima “Photograph”. O público que combinou pela web homenagens, levanta várias fotos de Ringo e dos demais Beatles. Depois, do LP Help, Ringo canta “Act Naturally” e finaliza o show com “With A Little Help From My Friends”, do Sgt.Peppers. O final tem direito ainda a música incidental “Give Piece a Chance”. Ringo passou o show inteiro fazendo o símbolo da paz, assim como seus fãs e músicos. Sem bis, o beatle se retira do palco.
Valeu a pena. Claro que como fã dos Beatles, acredito que Ringo poderia muito bem fazer um show com 100% de músicas que ele canta, seja nos Beatles quanto em carreira solo. A fórmula da All Starr Band dura mais de 20 anos, com músicos mudando a cada formação, porém, Ringo mostra que ele é um cara que curte estar rodeado por bons músicos, bons amigos e fãs que o amam. A simpatia de Ringo impressionou. Sorrisos do início ao fim, alegria, virtuosismo, o homem é o que é, sem firulas. A simplicidade do show contrasta com a de McCartney, sim, porém não deixa de ser uma apresentação emocionante e brilhante.

Eu lá na frente! Coisa maravilhosa

Pós show, com o jornalista Marcelo Fróes
Veja a lista de músicas apresentadas por Ringo Starr em Porto Alegre:
“It Don’t Come Easy”
“Honey Don’t”
“Choose Love”
“Hang On Sloopy”
“Free Ride”
“Talking In Your Sleep”
“I Wanna Be Your Man”
“Dream Weaver”
“Kyrie”
“The Other Side Of Liverpool”
“Yellow Submarine”
“Frankenstein”
“Back Off Boogaloo”
“What I Like About You”
“Rock N Roll Hootchie Koo”
“Boys”
“My Love Is Alive”
“Broken Wings”
“Photograph”
“Act Naturally”
“With a Little Help From My Friends / Give Peace a Chance”
Clipe dos Beach Boys do LP Smile
quinta-feira, 3 de novembro de 2011Harmonias crocantes no novo álbum do Autoramas
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Gabriel comemora com fãs em São Paulo a chegada da bolachinha
O sexto disco da banda carioca Autoramas acaba de sair do forno. Literalmente . Na foto acima, no último fim de semana, Gabriel Thomaz, vocalista e guitarrista, mostra o disco “Música Crocante”, como troféu num show realizado em São Paulo. Troféu porquê o sexto disco teve uma importante ajuda dos fãs para sair. Através de um projeto de crowdfunding, onde os internautas dão aquela força doando grana, a banda conseguiu arrecadar R$ 14,5 mil através da doação de 149 patrocinadores. Quem investiu a grana, recebeu prêmios determinados e também teve o direito de fazer download do álbum com antecedência.
Em agosto a banda esteve mais uma vez em Balneário Camboriú para um show no Ooby Dooby Rock Café. O show para variar foi afudê, saiu muito mais tranquilo do que em 2008, que a banda tocou em meio a goteiras no JB Rock Pub. Neste ano foi diferente, a pedido da banda, o fotógrafo Lucas Correia, de Londrina, porém residente na cidade há algum tempo, foi responsável pelas fotos de divulgação e do encarte do disco Música Crocante. A sessão de fotos ocorreu no dia do show, nas dependências do Ooby Dooby, o bar rock de BC que tem temática anos 1950. Em meio a milkshakes, burgers e batata frita, a banda fez um ensaio no bar antecipando a crocância e o sabor de Música Crocante.

Foto do Lucas Correia nas dependências do Ooby Dooby na divulgação do álbum
Musicalmente, o menu criado por Flavinha Couri, Bacalhau e Gabriel Thomaz, mostra que a banda faz em seus álbuns o que sempre fez com muita competência. Criatividade. É o Autoramas sendo eles mesmos a diferença é que Flávia Couri mostra que definitivamente é a baixista ideal para a banda, mesmo sob protestos de alguns fãs mais antigos que preferem outras garotas que passaram pelo ofício, mas Flavinha se encaixou perfeitamente na banda, mostrando que sua entrada, foi muito demorada, mas não há o que lamentar, mas sim, ver que hoje a banda está cada vez mais coesa e integrada.
Música Crocante é uma saborosa coletânea de novas canções autorais da banda, canções de outros músicos como “Verdugo”, composta em parceria com a banda uruguaia The Supersónicos e para os catarinenses, em especial os músicos da banda LISS, de Rio do Sul, a gravação da música “Sem Privilégios”, que ficou com aquele ar rock anos 1950, a cara do Ooby Dooby. A banda também faz uma versão instrumental para “Blue Monday” do New Order.
Nas composições originais, a banda apavora em quase todas, mas destacamos músicas como a psicodélica jovem guardiana “Abstrai”, com seu tecladozênho hipnótico. A paulada do rock and roll a pororoca do estado do Pará, em “Guitarrada II”, a homenagem bacana a Billy, baixista do Guitar Wolf, morto em 2005 com a música “Billy Hates Sayonara”, que segundo Gabriel, o baixista odiava momentos de despedida.
George Harrison: documentário frustra fãs do ex-beatle
domingo, 23 de outubro de 2011
Desde o final do ano passado, com a confirmação de que Martin Scorsese estaria filmando um documentário sobre o ex-beatle George Harrison, falecido em 2001, a expectativa era imensa. Quando o Trailler do filme foi colocado na internet, muita gente, inclusive eu, disse: preparem-se para grandes emoções.
Bom, Living in The Material World foi lançado no começo de outubro e há poucos dias foi possível baixar os dois episódios na internet. Digo que sempre é bom, como fã, ver um material de um beatle na rua, ainda mais George, adorado por muitos fãs dos Beatles e com sua história ainda enigmática para a maioria das pessoas. São três horas de documentário, divididos em duas partes e com depoimentos de Paul McCartney, Ringo Starr, Yoko Ono, Olivia Harrison, Dhani Harrison, Eric Clapton, a ex-mulher, Patty Boyd, seus dois irmãos ainda vivos, Neil Aspinal, Klaus Vormann, Astrid Kischerr (aleluia, ela apareceu), Jim Keltner, Tom Petty e muitos outros amigos Harrison que fizeram parte da primeira parte da sua vida artística e a segunda.
No primeiro filme, a monotonia em cima de um Harrison Beatle só foi quebrada com algumas imagens raras, porém, depoimentos lentos, longos, poucas imagens, tornaram o documentário enfadonho. Na primeira parte, a emoção só ganha minutos preciosos no final dos Beatles, quando Harrison aliviado começa a dar rumo para sua carreira solo. Na segunda parte do filme, já em 1976, quando os Beatles foram “dissolvidos” como sociedade, e os fab tiveram que assinar a papelada, a sala com inúmeros advogados e papéis, tem a presença de Paul e George, um feliz da vida assinando os documentos e o outro com cara de poucos amigos.
No segundo filme, sentimos que a vida de Harrison foi passada num resumão, sim, um baita resumão dos acontecimentos, com poucos detalhes das gravações da maioria dos álbuns do ex-beatle. Na parte solo de George, o All Thing Must Pass ganha mais depoimentos, junto com a turnê de 1974, nos Estados Unidos, esta sim, aparece com imagens raras. O restante dos álbuns de Harrison nos anos 1970 são ignorados pelo documentarista. Ainda nos anos 70, o documentário fixa na entrada de George no Cinema, com os Monty Phython, onde o ex-beatle foi produtor de alguns filmes, criando a Handmade Films, bom, a maioria dos filmes que George patrocinou não foram lá aquelas coisas, mas como o cara tinha grana, era uma maneira de passar o tempo.
O final do documentário é com certeza monótono, mas emotivo, falando dos últimos momentos de George Harrison, contanto inclusive, com detalhes, aquele caso de um maluco que entrou em sua imensa mansão, Friar Park, para tentar assassiná-lo.
Ele merecia mais. Enfim, é um documentário oficial, não empolgante, mas não deixa de ser belo. A gente esperava com certeza muito mais. Depoimentos mais conclusivos e maiores detalhes de sua obra foram simplesmente ignorados. Bonito ver mesmo é a paixão que George teve em vida pela sua religião, seus preceitos nas crenças orientais, sua dedicação em vida a caridade e ao bem.
Sobre o Redson: Palavras que nos comovem…
quinta-feira, 29 de setembro de 2011O dia foi muito duro para os fãs do Cólera que souberam sobre a morte de Redson Pozzi pela manhã. Muitos não acreditaram no falecimento do guitarrista e vocalista da banda e outros passaram o dia relembrando da banda, postando vídeos nas redes sociais e falando de suas experiências em shows, da influência das músicas de Redson e também sobre a importância do músico na cena punk e consequentemente, na cena independente, já que Redson foi percursor de muita coisa.
Hoje recebi um e-mail do Renato Siqueira, da banda Agnósia, que fez um belo retrato do que Redson representou para os punks.
Para ilustrar o texto abaixo, escolhi essa excelente versão do Inocentes para um dos grandes clássicos do Cólera, “Quanto Vale a Liberdade”. O vídeo é bem bacana e foi colocado no Youtube muito antes da passagem do Redson para o outro plano, mas parece que foi feito para homenagear o Redson. Tem imagens da história da banda, várias e também de outras bandas do punk paulistano do início dos anos 1980.
O ADEUS DA ÁGUIA FILHOTE
“Às vezes tenho medo, às vezes sinto minhas mãos presas pelo ar…”
Hoje não é um simples dia, hoje é um dia amargamente triste para todos aqueles que tiveram o prazer de conhecer o Edson Lopes Pozzi, seja por suas poesias, suas canções ou simplesmente por conhecê-lo.Conheci o Edson ainda nos anos 80, para ser mais preciso em 1987, graças ao álbum lançado um ano antes “PELA PAZ EM TODO MUNDO”. O conheci pelo nome em que a maioria das pessoas o conheceu e que o chamam (E eu ainda o chamo assim) REDSON.
Em 1987 eu conhecia o REDSON músico, punk, agitador cultural, mas nunca tinha o visto pessoalmente, só podendo ver uma apresentação da banda Cólera em 1989, após 10 anos de exílio eu voltava para Barueri e vi que existiam mais pessoas que eram punks como eu era.
Nos anos 90 tive o grande prazer de conhecer o Redson pessoalmente. O cara incrível que estava sempre de bom humor, sempre com mensagens positivas e com uma criatividade incrível, me lembro de que eu costumava dizer que ele era o Coelho Branco da Alice, com a cabeça a mim por hora e parindo ideias como se fosse um coelho de verdade.
Com o passar dos anos, a amizade ficou mais forte e graças ao Marcos Vicente, a aproximação foi mais contínua e cada vez mais eu fui aprendendo. Quem foi seu professor? Como você faz tudo? Simples, meu professor cultural foi o Redson. Ele quem me mostrou que se eu gosto de um tipo de musica e não tem ninguém para tocar, eu poderia tocá-la. Não sei tocar um instrumento, eu posso aprender sozinho. Não tenho quem lance minhas obras, eu descubro o caminho e lanço por mim mesmo. A total essência do Do It Yourself estava em Redson Pozzi.
Costumo dizer que toda banda punk tem um pouco de Cólera em seu DNA, afinal, qual banda é a maior expressão do punk nacional?
Num dos períodos mais tristes de minha vida, ele me disse: “Quando eu digo que Forte e grande é você, serve para você também nesse momento. Tudo vai dar certo”. Me lembro que eu sempre o saudava dizendo: “A-há, Redson daquela banda lá… Como é o nome? Ira!? Raiva? Nervosismo? Ah não, é Cólera mesmo”. Redson sempre foi uma escola.
Hoje em dia é tudo mais fácil, mas se voltarmos 30 anos no tempo, vemos que o primeiro álbum de bandas punks tinha Redson na organização, tinha Redson na participação. Vemos o primeiro festival punk do Brasil e mais uma vez tínhamos Redson na organização, Cólera participando. E a primeira banda a excursionar fora do país, fechar diversas datas e se aventurar por uma Europa em plenos anos 80? Redson e sua banda Cólera, lá estava ele, sempre acompanhado de seu irmão Pierre, um dos maiores baruerienses que conheci e com orgulho o chamo de conterrâneo.
Hoje se fala muito em ecologia, paz, direitos humanos, sustentabilidade. Assuntos do momento, mas voltando no tempo, vemos o Redson já falar sobre isso, já educar sobre isso ainda nos anos 80.
Dos momentos mais marcantes em minha vida, posso assegurar que entrevistar o Redson em 2008 para o Vinagre & Fel e produzir um álbum em 2004/2005 que continha a banda Cólera e era beneficente ao Projeto Esperança Animal foram as melhores coisas que consegui produzir em minha carreira.
Hoje acordo com a triste notícia de que esse meu grande amigo, professor, ídolo, herói, inspirador e tantos adjetivos que passaria o dia escrevendo se foi. É triste e com imenso pesar que digo isso. Acabou uma grande parte da história da musica nacional, um capítulo se encerra e mesmo na minha tristeza e em minhas lágrimas, posso dizer que Redson deixou um grande legado. Quando ninguém sabia como fazer, ele foi lá e fez. Disse não a indústria musical, produziu seus discos, ensinou o Know-How e sempre foi humilde, a ponto de sair de casa de shorts e chinelo para comprar pão na padaria e conversar com todos os vizinhos. Tratar as pessoas como iguais e sempre estar disposto a ouvir qualquer que seja a pessoa.
Então eu me pergunto, como o próprio Rogério se questionou: “Uma pessoa que não come carne vermelha, não bebe, não fuma e leva uma vida saudável, deveria morrer com 80 anos e não com 49”. Que vida é essa?
Vá em paz, menino vermelho, águia filhote, pois como você dizia: “Se você quer estar, você já está lá” e nada mais justo para uma pessoa que lutou pela paz, gritou pela paz, pediu para que salvassem e deixassem a terra em paz, tenha o seu merecido descanse em paz.
Aqui continuamos com seu legado e ainda acreditamos em sua frase “QUERO UM MUNDO MELHOR, SERÁ QUE ISSO GRITO É EM VÃO?” Claro que não é em vão.
Renato Sirqueira (Jay Rocker) – Banda Agnósia




