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De Trópicos ao Underground

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Franck e Andreza: o começo do Underground na Lagoa era como Trópicos Bar

Histórias sobre um dos lugares mais importantes do rock catarinense, que se não do Brasil (to falando de algo mais underground), o Underground Rock Bar, estão sendo contadas aos poucos pelo guitarrista da Pornô de Bolso, o bom e velho Domingos Longo. E eu acho que não há ninguém melhor para contar histórias do Trópicos, na Lagoa da Conceição, que logo depois se tornou o Underground Rock Bar, fechado pela patrulha babaca moral da capital catarinense e por um delegado que nem merece o nome ser citado aqui.

Domingos foi frequentador e artista que sempre esteve no Underground. Foi lá que o conheci, por sinal. Minha história com o bar não é gigante como a do Sundays e de outros 48s, mas estive muito presente no bar a partir de 2000. O lugar deixa muitas saudades e algumas publicações, como a de Pablo Ornellas, que fez uma bela análise acadêmica do tema, Underground Rock Bar e toda a sua parte mais antropológica ou sociológica. No livro de Ornellas, me orgulho de ser citado e de ter fotos minhas publicadas.

Para ler o blog que o Domingo fez sobre o Underground, acesse: http://detropicosaounderground.blogspot.com/

Clube da Luta: celeuma até no enterro

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Só o amor constrói…

Acompanho de longe os desdobramentos sobre o fim do Clube da Luta em 18 de setembro. Tudo começou com o cartaz sacaneando bandas que nunca participaram e criticaram o movimento. Depois um depoimento de Ricardo Seola, da banda Z no blog do Marquinhos esquentou ainda mais a discussão. Texto de Antônio Rossa no Transitóriamente também deu um pouco mais de gás na história. Marquinhos ainda abriu espaço para os lutadores se defenderem das críticas e para finalizar, Ulysses Dutra, meu primo querido, em seu Esquerda Festiva, teve o post com o cartaz “ofensivo” uma verdadeira discussão entre Domingos Longo e o Jean Mafra, que segundo Domingos é o Boy George da capital catarina.

Bem, discussões, agressões à parte, eu vejo que o Clube contribuiu muito para o fortalecimento de uma cena rock autoral no Estado. Foi um movimento que nasceu entre amigos e chapas, um clube e todo clube tem que ter aprovação dos sócios para se entrar, assim, o Clube da Luta cumpriu seu papel. Mas vale lembrar que muitas bandas clubeiras pouco pensavam em rock autoral antes disso. Vale ressaltar que em SC, outras bandas muito mais pioneiras penaram e ainda penam para serem reconhecidas. Movimentos tal igual, porém mais democráticos foram nascendo e ainda nascem em todo o Estado.

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O cartaz estopim da ira 48

Eu acho que na capital a coisa foi bem feita no sentido de que essa gurizada pensou em fazer algo, bolou uma estrutura fantástica que é Célula Cultural, e nisso dou os parabéns pro Márcio e o Gastão por empreenderem a história, porém acho que faltou mesmo intercâmbio de fato, não de direito. Visitar cidades com o Clube é uma coisa. Convidar alguém é outra, mas associar outras praças poderia ter sido uma excelente saída. O problema dos 48 é o ser um 48. Capital tem aquela coisa de ser cidade cosmopolita, onde mora gente de tudo quanto é canto do país, várias culturas, mas Florianópolis está anos luz de ser uma capital extremamente cultural. Está no meio de cidades fortes como Curitiba e Porto Alegre que apesar de serem cidades grandes, também enfrentam problemas.

Vou mais longe, o Clube passou, mas vale ressaltar que pelo Estado muita coisa acontece. Aliás, acontece muito mais coisa depois da cabeceira da Ponte Hercílio Luz do que se imagina. É só todos os lados de lá verem isso. Seja underground, seja clubeiro ou seja indie de butique. Ralar na música independente em SC não é privilégio de meia dúzia de entusiastas da capital, mas temos “Células” espalhadas pelo território catarina, coisas que acontecem há muito mais tempo do que Floripa. Começamos lá em Chapecó, onde os irmãos Demétrio e Roberto Panarotto plantaram uma puta semente com as primeiras demos da Repolho. Ai lá surgiu um mundo alternativo muito fora dos domínios de cidades do litoral como Floripa. Ai descendo mais um pouco lembramos que bandas surgiram em Lages, mas não foram pra frente por lá, vieram para o litoral. Cito ainda o exemplo de luta e perseverança de Rafael Tschumi e seu Tschumistock em Rio do Sul. Pela primeira vez em 14 anos ele não tem pique motivacional em fazer o festival. Cansou, foram 14 anos levando paulada de público chato pra caralho que reclamava por pagar R$ 20 pila para três dias de festival com acampamento ao ar livre com estrutura e mais de 30 bandas. Com um poder público vagabundo de SC que virou as costas sempre que ele precisava, tanto que este ano não teremos Tschumi. Depois chegamos na cena independente de Guaramirim, onde heróis durante anos fizeram o Curupira Rock Club ser a meca do independente catarina. Onde muita bandinha boa saiu das garagens para tocar para gente que curte música de verdade. O Curupira teve início, apogeu, depois decaiu, foi levantado de novo pelo Kelson e hoje amarga uma indefinição tremenda, enfrentando brigas internas e um incêncio. Guaramirim também trouxe junto consigo o povo de Jaraguá do Sul e Blumenau, que lotava as festinhas no fim de semana. Blumenau é outro lugar jurássico na música independente. Terra de alemão frio e preconceituoso, as bandas locais de lá não tinham praticamente onde tocar. O Curupira era a meca de todos, reconhecido no país todo, agora mais recentemente com o empenho de muita gente como os Barba Ruiva que se tem locais para tocar em Blumenau. Bandas começaram a pipocar por lá, tudo rock e de boa qualidade, claro que sempre tem as pelhancas. Mais ao Norte, estamos vendo o apogeu fantástico da cena rock de Joinville. Com picos para tocar, bandas de muita qualidade musical, autoral e também de produção. Joinville é aquele cavalinho que saiu por último no páreo e agora começa a ultrapassar o povo litorâneo. Chegando em BC, temos diversas iniciativas que por aqui passam. Mundo47 e Válvula Rock trouxeram vida a uma cena que tinha morrido por aqui. Nos 90´s o HC reinava na cidade Maravilha do Atlântico. O povo foi bem, fez sucesso, mas se cansou de tanta dificuldade que é ser rock numa cidade bate estaca. Eu ainda cito locais isolados que fazem alguma coisa, como Brusque, com o pessoal da Grau, Lages, até mesmo a pequena Ilhota teve seu festival digno.

Enfim, tudo isso que eu falei serve para reflexão de ambos os lados nessa briga medíocre por espaço. Os lutadores não são fáceis, eu sei, tanto que praticamente me abstive do movimento, porque eu sou um cara do rock e sempre admirei no Clube as bandas de rock de verdade, como Aerocirco, Maltines e Da Caverna, as minhas preferidas. No caso do Domingos, sei da história dele e também da sua rabugisse doida. Respeito pra caralho o que foi o Underground Rock Bar, o primeiro a dar voz e espaço democrático pras bandas de rock independente da ilha e do Brasil inteiro que pintavam por aqui.

Eu lamento o fim do Clube, mas sei que há ainda cabeças pensantes na ilha que vão continuar ou começar outra coisa. A Insecta já deu prova disso em 2008, produzindo festas. Meu amigo Marquinhos Espíndola, que é um 47 nato, também tá lá no DC e na Atlântida para isso, para incentivar.

Parabéns aos clubeiros pela sua luta e vamos acabar com essa viadagem de discutir nos blogs alheios. Se querem se masturbar, comprem uma banheira de plástico e coloquem gelatina. Só não vale luta do Jean e do Domingos de sunguinha de Sumô.